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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Morte a Venezia 1971


Por Pachá
A adaptação do romance de Thomas Mann (Morte em Veneza) pelo Conde ou Don Luchino Visconti di Modrone é para muitos, e nesse bojo está amantes de cinemas e críticos literários, umas das mais bem adaptadas obras literária para o cinema. É unanimidade o fato de que essa transposição livro para cinema, é fruto do perfeccionismo de Visconti. Nada passa alheio ao seu olhar de apurado gosto aristocrata e estética inteiramente mergulhada nos costumes da  nobreza com sua entrega ao ócio imbuída de viver a boa nobreza. Vale ressaltar que o título Modrone remota do séc. XIV.

Visconti remonta a Veneza idealizado por Mann no primeira década do séc. XX (verão 1911). O maestro (no livro é um escritor) Gustav von Aschenbach (Dirk Bogarde) chega a Veneza para descanso e se recuperar de traumas profissional e pessoal. Aschenbach é assolado pelo passado que juntamente com grande senso de moralidade o torna um homem retraído e introspectivo. Em Veneza ele tenta entender o significado da beleza, já que está não pode ser criada pois já existe restando ao artista absorve-la, entende-la e dela aproximar sua visão do mundo através de sua arte, no caso de Aschenbach a melodia mais bela. O mundo naquele momento vivia sob a efervescência da art nouveau que abandonava o classicismo, já que os avanços tecnológicos e científicos dava nova perspectiva aos indivíduos, estava instalado a industria do divertimento e ninguém melhor para aproveitar tal momento do que a burguesia fundida a nobreza que habitavam os grande centro urbanos.

Aschenbach logo se dá conta da personificação da beleza na figura de um jovem de traços delicados, Tadzio (Bjorn Andresen) que também aproveita o verão veneziano com a família, mãe, irmãs e uma tutora (provavelmente). Inebriado pela beleza do jovem mancebo, Aschenbach logo nutre paixão impossível por Tadzio e passa a sofrer como o jovem Werther. Embora Tadzio pareça de alguma forma retribuir e até incentivar a admiração de Aschenbach, este preso a grande carga moral não encontra maneira de maior aproximação do jovem e o segue pelas ruas e canais de Veneza. 
A fotografia de Pasqualino De Santis é simplesmente admirável por si só, e não seria pra menos dado que o filme tem poucos diálogos, sendo toda trama alicerçada nas imagens e percepção de Aschenbach. Da Veneza bela enquanto abrigo de seu objeto de admiração e paixão ainda que assombrada pela peste asiática. O esmero da fotografia também está presente no suntuoso hotel em que está hospedado Aschenbach e a família de Tadzio, e todo detalhe é muito bem captado pelo olhar detalhista viscontiniano em zoons e close ups. A cena do bordel em um dos flash back de Ascehnbach é soberba, figurino, cenário tudo com riqueza de detalhe que salta aos olhos de maneira que diálogos só interromperia essa pintura em movimento, alias os personagens se movem como se estivesse diante de grande pintor renascentista.

Em minha percepção Morte em Veneza é um grande filme enquanto obra de cores e planos,  dado que a trama nos dramas de Aschenbach é quase acessório para o primor das imagens extraídas da arquitetura veneziana (quase sempre filmada de dia), ao contrário por exemplo de Lord Byron de Kubrick que além de possuir igual o melhor padrão (tem muito mais cenas noturnas que Morte em Veneza) tem trama mais elaborada. E como obra máxima desse diretor fico com Il Gattopardo.

quarta-feira, 2 de março de 2011

IL Gattopardo ( O Leopardo) 1963


A obra máxima de Luchino Visconti retrata o turbulento período italiano, quando ao final do séc. XIX (1860) o pais inicio seu processo de unificação e com isso o fim da aristocracia e ascensão da burguesia. É importante lembrar o contexto histórico da europeu, principalmente entre 1815 e 1848 onde a Europa estava imersa em ondas revolucionário que derrubou por vez o poder absolutista firmando de vez o capitalismo que através da consciência proletarizada abre caminho para burguesia tomar o poder.

Baseado no romance de mesmo nome do escritor Giuseppe Tomasi di Lampedusa, Visconti vê na história do Príncipe Fabrizio Salinas esse importante movimento de classes, e como o próprio sobrinho do príncipe diz “é preciso que as coisas mudem para que elas fiquem onde estão” já anunciando as mudanças sociais que estavam por vir.

O sobrinho Don Tancredi interpretado por Alain Delon, junta-se as tropas de Giuseppe Garibaldi, o mesmo das páginas dos livros de história brasileira durante a revolta dos farrapos, e com ele toma a cidade de Palermo. Na pele do Leopardo está Burt Lancaster em um de seus mais importantes papeis, este americano, bastante em voga na época por ter ganhado o Oscar por Entre Deus e o Pecado, ficou memorável dando vida a um príncipe siciliano. Tecnicamente o filme tem a estética Viscontiniana, planos cuidadosamente estudados, ambientes ricos em detalhes, tudo para criar a aristocrata Itália que ainda estava sob julgo do império austro-húngaro. No elenco também está a Claudia Cardinale em um papel de uma fogosa e bela burguesa cujo pai almeja títulos ao casa-la com Don Fabrizio aristocrata, mas falido, Terence Hill e Giulino Gemma antes da fama dos westerns completam o elenco. Com quase 3 horas de duração o filme encanta pelo cenário bucólico da Itália rural, das vilas surgidas em volta dos majestosos castelos. Cada cena e cada minuto do filme tem o esmero característico de Visconti que era um esteta, de cultura refinada, letrado nas mais diversas artes, poesia, pintura e opera sua grande paixão. A versão remasterizada lançada pela Versátil tem um disco só com extras que é tão interessante quanto o filme.

Curiosidade sobre o romance de Giuseppe cujo titulo teve origem no brasão da família Tommasi e é assim referido no romance que foi lançado em 1959 após ser recusado pelos editores Einaudi e Mondador, sendo lançado pela editora Feltrineli começa com a seguinte frase... "Nós éramos os leopardos, os leões; esses que nos substituíram são os chacais, as hienas; e todos os leopardos, chacais e ovelhas continuarão a acreditar no sal da terra."

Burt Lancaster - Don Fabrizio Salina 
Claudia Cardinale  - Angelica Sedara/Berti 
Alain Delon - Tancredi Falconeri