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segunda-feira, 11 de abril de 2011

O Grande Golpe

Por Pachá
Dashiell Hammett foi um dos precursores do estilo noir na literatura que influenciou e influencia escritores mundo afora, estilo predominante do cinema nas décadas de 40 e 50. Embora tenha escrito poucos livros, deixou uma quantidade considerável de contos, sempre abordando o submundo do crime, seja este organizado ou apenas golpistas de ocasião.

O Grande Golpe reúne dez desses contos, no qual o seu alter ego, detetive Sam Spade imortalizado na figura de Bogart em O Falcão Maltes, se não o mais famoso pelo menos o mais conhecido livro de Hammett, levado às telas por John Huston. Sam Spade detetive perspicaz desfila pelo universo de escroques, vigaristas, aproveitadores, corruptos e todo tipo de individuo a margem da sociedade, porém sempre mantendo certa dignidade e sem perder sua humanidade. Um dos motivos para que o estilo de Hammett ganhasse adeptos, foi o seu caráter realístico do submundo do crime, sem subterfúgios românticos, talvez por ele mesmo, Hammett ter trabalhado como detetive particular durante boa parte de sua vida, só largando para se dedicar em tempo integral a literatura.

Outro ponto visível em sua narrativa é o seu amplo conhecimento de cultura geral como; política, sociedade, filosofia o que reflete certa erudição de quem se preocupa em pesquisar o tema não de forma superficial, e sim de forma minuciosa. As 500 páginas de contos de O Grande Golpe tem o prefácio de Lilliam Hellman escritora que tinha em Hammett grande amigo e companheiro. Lilliam foi de grande suporte para Hammet que tinha grande apego por bebida alcoólica, vicio que só piorou quando foi preso na operação “caça as bruxas” do governo John McCarthy ao se negar a colaborar com as atividades comunistas na indústria cinematográfica de Hollywood na década de 50, época em que Hammett trabalhava quase que exclusivamente para os grandes estúdios. Após esse fato seu trabalho diminui em quantidade e qualidade.

Dashiell Hammett nasceu em 1894 em Maryland e viveu boa parte de sua vida na Filadélfia e Baltimore e morreu em 1961em Nova York.

Os contos em O Grande Golpe.
O saque de Couffignal;
Papel de pegar mosca;
O rosto chamuscado;
Esse negócio de rei;
O caso Gatewood;
Mulheres amarelas mortas;
Saca-rolhas;
Tulipa;
O grande Golpe
Dinheiro sujo de sangue.

Livros:
Seara Vermelha (1929)
O falcão maltês (1930)
A chave de vidro (1930)
Mulher no escuro (1933)
Continental OP (1945)

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

O Falcão Maltês 1943


Por Pachá
No inicio do séc.XX dois autores criaram o género policial na literatura, Dashiell Hammett e Raymond Chandler. O género fascinou  leitores pois os mergulhavam até os pelos da cabeça no submundo do crime, um mundo imoral, cínico e desprovido de toda e qualquer esperança no ser humano, pode parecer banal hoje, mas tente fazer esse julgamento com olhar dos anos 20 do séc. XX. Logo esse estilo ganhou rotulo de noir, mas ele ficou eternizado mesmo nos filmes de Hollywood e Falcão Maltês é um dos precursores desse estilo nas telonas.

Baseado no livro homónimo de Dashiell Hammett, em 1941 John Houston capta com extrema perfeição esse estilo, de sombras, personagens durões, solitários e igualmente perdidos. Para o papel do detetive Sam Spade é escalado ninguém menos do que Humphrey Bogart, o papel caiu como uma luva, Bogart casava com todas as imagens do livro de Hammett, solitário, incorrigivel por vezes prepotente e insensivel. 

A trama como caracteristica do estilo noir é cheia de revés. Sam Spade é contratado para encontrar uma relíquia valiosa, um falcão de ouro maciço dado de presente ao Rei da Espanha pelos Templários de Malta em 1539.  Sam traça sua investigação após se contactado por uma certa Sra. O’Shaughnessy (Mary Astor) quem primeiro encarnou o estilo feme fatale no cinema, outra caracteristica do noir. E no decorrer e desfecho da trama ninguém é o que diz ou que parece ser.

As tentativas  anteriores para levar o livro de Hammett paras as telas não tiveram a perspicácia que Houston teve, pois ao contrários de seus antecessores Houston, que também escreveu o roteiro, deixou seu filme muito próximo do livro o que explica o estrondoso sucesso e inaugourou o estilo que dominou Hollywood até os anos 50.


sábado, 5 de junho de 2010

Bala na Agulha

Por Pachá

Este livro de Marcelo Rubens Paiva publicado em 1992 chega as minhas mãos já na 7 edição, e para quem tem o Marcelo Rubens Paiva como referência apenas o trabalho "Feliz Ano Velho", autobiográfico, vai ficar surpreso com Bala na Agulha, que narra a trama em que se envolve um brasileiro que trafica cocaína em Mahanttan. 

O livro tem ritmo dinâmico, com narrativa direta bem ao estilo dos melhores autores, Dashiell Hammett e Raymond Chandler, referências no estilo policial. Thomaz é um brasileiro que após cumprir prisão na França por tráfico de drogas, se estabelece em Nova Iorque vivendo da única maneira que sabe, traficando drogas para ricos, mas antes também fazia michê, só que em umas de suas transações, algo dá errado e uma cliente é morta e Thomaz é o maior suspeito, alguém o sacaneou e sem ter a quem recorrer Thomaz conta apenas com o único aprendizado que teve, as ruas, seu aguçado senso de perspicácia e sagacidade para sair dessa, mas sua vida vai virar ao avesso e jamais será a mesma. 

Marcelo Rubens Paiva escreve um ótimo romance policial sem lançar mão de clichê de autores mais populares e nos proporciona uma ótima viagem ao mundo de Thomaz. Livro para ser lido de uma tapa só, como todo bom romance policial.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Jardim do Diabo 1988

Por Pachá
Publicado em 1988, Jardim do Diabo é o primeiro romance de Luis Fernando Veríssimo e seu debut é pela ficção policial. A estrutura narrativa de Veríssimo é complexa na medida em que cria uma trama metalingüística, um livro dentro do livro, e historias aparentemente sem paralelas entremeadas por fatos autobiográficos; a figura heróica do irmão Tomás cuja ideologia política o leva a ser caçado pelo regime militar. A figura imponente do pai e mais tarde a decepção quando descobre que este traia a esposa.

O personagem central do livro, principal, é Estevão um escritor perneta, recluso que escreve mensalmente histórias policiais de quinta categoria, com estrutura que mais lembra uma receita de bolo, “... lá pela página 40 imprimo a grande trepada, pela página 90 o encontro com vilão, onde se dá a grande luta que vai desenhar o desfecho final que ocorre lá pela página 140...”. Certa manhã o inspetor de policia Macieira, igual ao conhaque, procura Estavão este se diz fã das historias do escritor recluso. Macieira diz que está investigando crime cujos métodos remetem aos cometidos pelo assassino Grego no ultimo romance de Estevão, ritual macabro, porém há pequeno detalhe nessa coincidência, das quais os escritores não vivem sem, o crime foi cometido antes do lançamento do livro. A partir desse ponto Veríssimo desenvolve cativante narrativa, com humoradas referências aos mestres do gênero policial, Dashiell Hammett e Raymond Chandler e faz com grande propriedade uso dosrecursos de metalinguagem na construção do que é realidade e ficção para Estevão.

Esse livro foi relançado em 2005 em edição de luxo, mas a que tenho em mãos é da L&PM do ano do lançamento, ou seja, 1988.




Crônicas e contos (inéditos)

  • O Popular (1973, ed. José Olympio)
  • A Grande Mulher Nua (1975, ed. José Olympio)
  • Amor Brasileiro (1977, ed. José Olympio)
  • O Rei do Rock (1978, ed. Globo)
  • Ed Mort e Outras Histórias (1979, ed. L&PM)
  • Sexo na Cabeça (1980, ed. L&PM)
  • O Analista de Bagé (1981, ed. L&PM)
  • A Mesa Voadora (1982, ed. Globo)
  • Outras do Analista de Bagé (1982, ed. L&PM)
  • A Velhinha de Taubaté (1983, ed. L&PM)
  • A Mulher do Silva (1984, ed. L&PM)
  • A Mãe de Freud (1985, ed. L&PM)
  • O Marido do Doutor Pompeu (1987, ed. L&PM)
  • Zoeira (1987, ed. L&PM)
  • Noites do Bogart (1988)
  • Orgias (1989, ed. L± relançado em 2005 pela Objetiva)
  • Pai Não Entende Nada (1990, ed. L&PM)
  • Peças Íntimas (1990, ed. L&PM)
  • O Santinho (1991, ed. L&PM)
  • O Suicida e o Computador (1992, ed. L&PM)
  • Comédias da Vida Pública (1995, ed. L&PM)
  • A Versão dos Afogados - Novas Comédias da Vida Pública (1997, ed. L&PM)
  • A Mancha (2004, ed. Cia das Letras, coleção Vozes do Golpe)

Crônicas e contos (antologias e reedições)

  • O Gigolô das Palavras (1982, ed. L&PM)
  • Comédias da Vida Privada (1994, ed. L&PM)
  • Novas Comédias da Vida Privada (1996, ed. L&PM)
  • Ed Mort, Todas as Histórias (1997, ed. L&PM)
  • Aquele Estranho Dia que Nunca Chega (1999, Editora Objetiva)
  • A Eterna Privação do Zagueiro Absoluto (1999, Editora Objetiva)
  • Histórias Brasileiras de Verão (1999, Editora Objetiva)
  • As Noivas do Grajaú (1999, ed. Mercado Aberto)
  • Todas as Comédias (1999, ed. L&PM)
  • Festa de Criança (2000, ed. Ática)
  • Comédias para se Ler na Escola (2000, Editora Objetiva)
  • As Mentiras que os Homens Contam (2000, Editora Objetiva)
  • Todas as Histórias do Analista de Bagé (2002, Editora Objetiva)
  • Banquete Com os Deuses (2002, Editora Objetiva)
  • O Nariz e Outras Crônicas (2003, ed. Ática)
  • O Melhor das Comédias da Vida Privada (2004, Editora Objetiva)
  • Mais comédias para ler na escola (2008, Editora Objetiva)

Novelas e romances

Relatos de viagens

  • Traçando New York (1991, ed. Artes e Ofícios; com Joaquim da Fonseca)
  • Traçando Paris (1992, ed. Artes e Ofícios; com Joaquim da Fonseca)
  • Traçando Porto Alegre (1993, ed. Artes e Ofícios; com Joaquim da Fonseca)
  • Traçando Roma (1993, ed. Artes e Ofícios; com Joaquim da Fonseca)
  • América (1994, ed. Artes e Ofícios)
  • Traçando Japão (1995, ed. Artes e Ofícios; com Joaquim da Fonseca)
  • Traçando Madrid (1997, ed. Artes e Ofícios; com Joaquim da Fonseca)

Cartuns e quadrinhos

  • As Cobras (1975, ed. Milha)
  • As Cobras e Outros Bichos (1977, ed. L&PM)
  • As Cobras do Verissimo (1978, ed. Codecri)
  • O Analista de Bagé em Quadrinhos (1983, ed. L± com Edgar Vasques)
  • Aventuras da Família Brasil (1985, ed. L&PM)
  • Ed Mort em Procurando o Silva (1985, ed. L± com Miguel Paiva)
  • As Cobras, vols I, II e III (1987, ed. Salamandra)
  • Ed Mort em Disneyworld Blues (1987, ed. L± com Miguel Paiva)
  • Ed Mort em Com a Mão no Milhão (1988, ed. L± com Miguel Paiva)
  • Ed Mort em Conexão Nazista (1989, ed. L± com Miguel Paiva)
  • Ed Mort em O Sequestro do Zagueiro Central (1990, ed. L± com Miguel Paiva)
  • A Família Brasil (1993, ed. L&PM)
  • As Cobras em Se Deus existe que eu seja atingido por um raio (1997, ed. L&PM)
  • Pof (2000, ed. Projeto)
  • Aventuras da Família Brasil (reedição - 2005, Editora Objetiva)

Outros

  • O Arteiro e o Tempo (infantil; ed. Berlendis & Vertecchia; ilustrada por Glauco Rodrigues)
  • Poesia Numa Hora Dessas?! (poemas; 2002, Editora Objetiva)
  • Internacional, Autobiografia de uma Paixão (2004, ed. Ediouro).