Mostrando postagens com marcador mexico. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mexico. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Compra-me um revólver

Por Pachá

O enredo distópico de compra-me um revólver, talvez não seja tão distante, no qual o país é assolado pelas gangues e milícias do narcotráfico que dominam tudo, porém o que choca no roteiro, ainda que muito pouco mostrado, é que as mulheres são dizimadas e as que sobrevivem são forçadas a prostituição.

Rafa (Rogelio Sosa ) vivem em um motorhome dentro de um estádio de baseball, ao que parece sua paixão, mas também dos traficantes locais, que organizam partidas sempre com jagunços armados, causando uma atmosfera de medo constante, nem o líder está seguro, muito menos aqueles que o servem. Rafa tem uma filha Huck (Matilda Hernandez) que é apresentada como menino para que não seja sequestrada pelas gangues, os verdadeiros homens que odeiam mulheres. O carinho e amor por Huck, coloca Rafa em estado de perigo constante, assim como o fato de estar sendo devastado pelo vício.

O desenvolvimento tem característica de fábula, nas figuras dos angels, um trio de crianças que vivem no deserto, e assim como Huck tiveram suas mães assassinadas, e por essa razão, estão sempre presente, rondando as gangues, procurando uma vingança, mas são apenas crianças com armas de brinquedos contra homens com armas de grosso calibre e sem compaixão alguma.


A fotografia carrega a crueza do clima tropical, amarelo domina quase todas as composições, o que por vezes tira profundidade ao beirar o monocromático, o que em minha percepção prejudica a dramaticidade que a história sugere. Por outro lado o filme carrega o olhar de como é amar e proteger em ambientes no qual isso vale muito pouco ou nada, reduzindo as relações humanas a condições insustentáveis do ponto de vista afetivo, onde a lei do mais forte é o que vale, e o medo a arma mais poderosa.

O roteiro cria uma certa expectativa, de algo drástico ou mesmo de salvação para Rafa e Huck, mas isso não se cumpre, os dois primeiros atos são muito bem conduzidos, mas perde fôlego na parte final, com desfecho xoxo.



domingo, 28 de julho de 2019

Post Tenebras Lux 2012

Por Pachá

O cinema de Carlos Reygardas é extremamente autoral, imerso no mais profundo estilo do "ame ou odeie" e no seu quarto longa, essa máxima se mantém, uns classificam como um exercício da futilidade, fragmentos desconexos e até de vazio entediante. Em minha percepção um filme para ser bom não necessariamente precisa fazer sentido, desde que as imagens falem e instigue a construção de um universo próprio  e mutável para quem o assiste.

Post Tenebras Lux é daqueles filmes que as imagens te perseguem por dias, te questionando o que é bom e ruim em certas narrativas imagéticas, mas o fato é que a fotografia de Post Tenebras Lux é a primeira coisa que chama atenção, com foco seletivo com desfoque e dupla exposição, seguida  pelo desconforto logo na primeira cena na qual uma garotinha em um pasto, cercada de vacas, bois e cuidados por cães que nutrem carinho e respeito por essa garotinha, e dai nota-se que não há direção, a garotinha vai onde quer, faz o que quer os animais também, e tudo sob uma iminente tempestade que se anuncia.

A narrativa conta a história de uma família em momentos diferentes de seus integrantes,  Natalia (Nathalia Acevedo) e Juan (Adolfo Jiménez Castro). O casal passa por uma crise conjugal, onde o tratamento inclui mudança da cidade para o campo e até sessões de sexo livre.

A  atmosfera impressa sugere uma tragédia irremediável, a presença de um tinhoso estilizado explica esse mal que está prestes cair sob esta família. Em momento algum Reygadas tem a pretensão de dizer mais do que as imagens sugerem, aliás, pelo ritmo lento e arrastado de vai e volta na cronologia da família, as imagens tem imensa carga onírica, e creio que o filme pode ser assistido por esse viés de um sonho, onde nada faz sentido, mas que de alguma maneira (inconscientemente) guarda ligação com a realidade dessa família.


quinta-feira, 10 de junho de 2010

Sleep dealer


Por Pachá

Filme mexicano do diretor Alex Rivera rodado em 2008, creio que ainda não chegou as locadoras, logo tive que apelar para o senhor Torrent.

Sleep Dealer é uma ficção científica que retrata um mundo no qual poucas, mas grandes corporações dominam o mercado mundial. Essas organizações criaram métodos de trabalho no qual o ser humano se pluga em rede, tal qual matrix, e opera um robô em outro continente nos mais diversos trabalhos, essas fábricas são chamadas de sleep dealer. 

Em uma das operações da mega corporação, que detém inclusive o controle da água, um dos membros de uma pobre família do interior é confundido como terrorista, e após seu pai ser assassinado, é obrigado a fugir para capital, e trabalhar nas fábricas de sonhos (sleep dealer) para sustentar a família.

A distopia que Rivera narra, não é nada tão distante, uma vez que é sabido que a água, logo será um item escasso e portanto produto com altas margens de lucro para as grandes corporações. Em 2002 algo similar se deu na Bolívia, ver matéria do Le Monde.

Bem interessante a proposta do Rivera e mesmo com os efeitos "pobres" consegue criar um clima de ficção convincente sem fugir das origens do cinema latino americano de como voz de resistência. O filme foi muito bem recebido em Sundance.