Mostrando postagens com marcador Rian Johnson. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Rian Johnson. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Brick 2005


Por Pachá
O primeiro filme de Rian Johnson é um tanto forçoso em criar a correta verossimilhança com a proposta noir, não pelo roteiro e sim pela trama colegial. Com narrativa repleta de viravoltas como manda todo bom noir, brick desperta mistério, suspense, mas incomoda, a mim incomodou o fato de se passar em um colégio, fantasma, diga-se de passagem. O roteiro trata do trafico de drogas em escola e hegemonia na distribuição desse entretenimento, e aluno com pretensões a detetive durão, e nesse ponto reside exagero, adolescentes em papeis adultos que pouco convence.

Joseph Gordon-Levitt vive Brendan um sujeito introspectivo que prefere almoçar sozinho (provavelmente escutando Joy Division) ao convívio dos colegas. Ele é imbuído de senso de justiça e vocação a detetive, uma espécie de anjo da lei, lembra o seriado que lançou Johnny Depp? Pois é o filme tem um quê desse seriado. Só que Rian extrapola o universo teenager americano, o chefão The Pin (Lukas Haas) é estereotipado ao extremo, de capa preta e bengala (ele é coxo!) só faltou o chapéu para o calvinismo completo e tem como livro de cabeceira O Hobbits. A femme fatale Laura (Nora Zehetner) nem ao menos é loira como pede o genero noir, mas passa. O conselheiro do herói The Brain (Matt O'Leary), certamente é uma ponta cega do roteiro, a relação entre os amigos é um caso curioso, mas parece profissional que amizade. O trajeto do herói até sua redenção em descobrir porque sua ex-namorada foi assassinada é repleto de provações, primeiro a femme fatale que se atira em seus braços e o herói nem precisa de muito esforço, apenas uma carinha triste e um sorriso blasé, depois o lucrativo serviço de vapor para The Pin. Mas tudo faz parte do plano do herói para envolver os traficantes adolescentes em seus próprios pecados.

Tecnicamente o filme de Johnson é correto, bons planos, boa dinâmica, mas ao final a impressão é de a trama mais parece brincadeira de antigamente, bandido e policia de adolescentes, difícil acreditar no universo juvenil adulto idealizado por Johnson.

sábado, 6 de outubro de 2012

Looper

Por Pachá
Rian Johnson faz parte da nova geração de cineastas de ação de Hollywood. Seus filmes, que também são escritos por ele, não são dados a tramas simples e lineares, seus filmes tem estrutura e dinâmica entre personagens e roteiro que requer do espectador atenção, pois o diretor tem nos detalhes forte caracteristica, no sentido de que a câmera é efeita a movimentos voyeur. The Bloom Brothers seu filme anterior de 2008, também já contava com essas caracteristicas, trama estruturada, cenários sem exageros e com intensa verossimilhança. Em Looper há essa preocupação, dar veracidade a um sci-fi de viagem no tempo, detalhe, apenas é mostrada a tal máquina do tempo uma única vez, e não é para satisfazer curiosidade e sim porque era essencial para trama.

Joe (Joseph Gordon-Levitt) é um hitman que tem no seu ganha pão limpar evidencias incriminatórias de organização mafiosas do futuro. Joe está no ano 2044 onde a viagem no tempo ainda não foi inventada, mas em 2074 será, porém por motivos de ética, será igualmente proibida, mas que não chega a ser um problema para a mafia. Nesse ponto o roteiro cobra do espectador atenção, quando nos primeiros minutos é despejado uma gama grande de informações para explicar como funciona o looper e como esse é "fechado" que por sinal é interessante. Quando a mafia por motivo qualquer precisa se livrar de um looper, o envia para o passado para ser assassinado pelo seu outro no passado. Dai esse looper sabe que lhe resta apenas 30 anos de vida. Foda hein! pois a incerteza da única certeza que temos em vida é desvirtuada.
A virada da trama ocorre quando Seth (Paul Dano) amigo de Joe não consegue fechar seu looper e deixa seu eu futuro escapar. Seth alerta Joe para um certo Rainmaker que está "aposentando" todos os loopers. Não tarda e chega a hora de Joe encerrar seu looper, mas na verdade a vinda do seu eu futuro ou old Joe (Bruce Williams) é proposital, na tentativa de mudar, de dar novo rumo ao seu futuro. E a partir desse ponto o filme se enche de referências. Old Joe tem pistas do rainmaker que em 2044 é apenas uma criança, logo stay here I will be back! exterminador do futuro salta aos olhos. Joe tentando concertar sua mancada e fechar seu looper e tirar a máfia de seu encalço, sai a procura de old Joe e acidentalmente vai parar em fazenda. Outra referência é notória, ao menos para mim, que viu nessa cena intensa relação com a testemunha, no papel de Kelly McGuills, Emily Bunt (Sara) porém sem peitinhos em cena de chuveiro. Sara tem um filho, Cid que dará outro rumo a trama, seu personagem tem relação com outro, Tetsuo em akira.

Por se tratar de sci-fi era de se esperar cenários de naves e cidades cibernéticas, mas ao invés disso Johnson idealiza um futuro cínico, pervertido e corrupto com uma sociedade absorta em vicitudes e anormalidades. A fotografia e cenários tem ar noir ou neo-noir, as indumentarias dos homens de rainmaker lembra El Topo de Jodorovski.
No quesito interpretação o elenco é mais que correto, e além dos citados tem Jeff Daniels como mafioso futurista atuando no passado. destaque para o ator mirim Pirece Gagnon que encarnou Tetsuo com grande competência. Looper é um grande e bom filme que vai bem tanto no telona quanto telinha. A dica agora e assitir ao seu filme de 2005, Brick.