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sexta-feira, 2 de julho de 2021

Amazônia em Chamas

 

Por Pachá

O custo ambiental que está no suculento bife do seu almoço ou jantar, se fosse computado, tornaria a pecuária uma atividade inviável, mas como bem sentenciou Michael Moore no documentário The Corporation, o capitalista venderá a própria corda para seu enforcamento, se isso representar um bom lucro.

Os estudos científicos, não é de hoje, nem desse século, vem apontando para as consequências da nossa conduta perante os recursos do planeta azul, e também perante as demais espécimes que dividem esse eco sistema, chamado de planeta Terra. 

Com uma abordagem alicerçada em dados e depoimentos de ativistas, ambientalistas e cientistas, Siewierski mostra como nossos hábitos alimentares, seja no Brasil ou no China, impactam na degradação da floresta Amazônica, dado que mais de 90% do desmatamento tem como responsável o agronegócio para a produção de proteína animal.

Michael Siewierski viveu no Brasil entre os anos de 1987 e 2003, período em que se formou em engenharia ambiental pela UnB. Sua investigação sobre o agronegócio ja rendeu outros dois documentários, Food Choices, 2016 e Diet Fiction, 2019.

Ao atacar o problema ambiental como uma preocupação mundial e de todos, o diretor deixa claro que não há mais espaço para neutralidade ou mesmo desconhecimento do impacto que nós, sapiens, estamos causando em função de hábitos alimentares, consumo e conivência com a industria que de alguma forma financia o desmatamento da Amazônia e outros ecosistemas ao redor do planeta.

Documentário imprescindível para abrir o debate de como, mesmo isoladamente, nós enquanto consumidores, somos peça fundamental para frear a degradação do meio ambiente.



quinta-feira, 8 de abril de 2021

The Drums


Por Pachá

A banda do Brooklin carrega em sua sonoridade a simplicidade de acordes e guitarras encharcadas de uma alegre melancolia. 

Formada em 2009, a banda tem como influência bandas dos anos 80, e creio ser The Smith e The Stone Roses as mais visíveis em minha percepção, e também o BriitPop dos anos 90. Em 2010 a NME new music express colocou a banda como a grande revelação da década. E de fato, o som do The Drums tem um certo frescor ainda que ancorado na nostalgia.

Em seu ultimo trabalho de 2019, é possível ver o amadurecimento sonoro da banda, porém mantendo a simplicidade de acordes e melodias. Todos os trabalhos merecem e devem ser escutados da primeira a última faixa.


 magnet links para baixar os albums. Clicar no titulo.

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The Drums 2010





sexta-feira, 17 de julho de 2020

The Corporation

Por Pachá

Baseado no livro The Corporation: The Pathological Pursuit of Profit and Power . Este DOC canadense, mostra como as corporações se infiltraram nos governos e na sociedade, em uma "simbiose" que aos poucos (longo prazo) está matando o hospedeiro, ou seja, as espécies que habitam o planeta. Michael Moore, um dos entrevistados, dá uma ótima definição, o capitalista venderá a corda para seu próprio enforcamento se isso representar um bom lucro.

Trabalhar com um tema tão abstrato e ao mesmo tempo tão presente em nosso dia a dia que nem nos perguntamos o que é um corporação, parece aqueles dilemas filosóficos, do tipo, se não me perguntam eu sei, mas se pedem para explicar eu não sei. O fato é que as corporações são ordens imaginadas, que só existem pela capacidade cognitiva, em não só de imaginar mas criar redes de cooperação inter subjetivas, como; instituições, moedas, lucros, religiões, etc.

A abordagem dos diretores, Jennifer Abbot e Mark Achbar, é acadêmica, no sentido de didática, e creio que não poderia ser diferente, tanto é que a base para o roteiro, parte do referido livro. 

A critica principal é como as corporações se tornaram tão gananciosas em sua busca incansável para maximizar lucros, dado que em meados do séc. XIX, elas eram ferramentas dos governos para proporcionar o bem estar, como a construção de uma ponte, uma estrada de ferro, um porto etc. e nesse momento os governos tinha total controle dessas corporações, pois sua criação tinha fins específicos. A partir do momento em que é vislumbrado a possibilidade de lucros e ganhos melhores do que o mercado, as corporações saem das rédeas dos governos e passam a ser pessoas jurídicas abrindo vias largas para toda e qualquer exploração com objetivo de enriquecer seus acionistas que ficam longe de qualquer ônus (a não ser perda de capital), em caso de desastres ambientais, humanos...

Um dos casos mais marcantes, de como as corporações são agressivas quando o assunto é lucro, é o caso da privatização da água na Bolívia na qual vemos como essa união entre governos e corporações pode ser desastroso, imoral, nocivo quando submete a população ao sofrimento, impondo valores as vezes inacessíveis para bens e serviços básicos como a água. Essa caso também é emblemático quando as corporações se tornam ferramentas do imperialismo.

Lembro de uma critica que o escritor José Saramago fazia a democracia, segundo ele, esta é tomada como uma espécie de Madonna em um pedestal, mas como podemos falar em democracia quando as grandes corporações influenciam eleições, governos que vão governar em prol dessas organizações, e ninguém vota para presidência da Coca-Cola, da G&E, Monsanto. São as corporações decidindo a vida pública.

Em tempos em que se prega a privatização, e o mercado como solução para os problemas que o Estado não dá conta, é imperativo que olhemos o passado e façamos as devidas interpretações para que não cometamos os mesmos erros do passado.







quinta-feira, 11 de junho de 2020

Wonder Wheel

Por Pachá

Os personagens de Wood Allen quando encarnam suas neuroses, sempre a beira de uma sincope, assolados por divagações que quase sempre escamoteia uma luta de classes ou revolta pelo lugar que ocupa na sociedade, normalmente rende bons dramas, e não por coincidência são aclamados pela critica e público.

Duas coisas são explicitamente notadas, a interpretação de Kate Winslet com vibrante presença de cena, com diálogos e monólogos que não deixa dúvida quanto ao imenso talento da atriz. Ginny é a encarnação da dona de casa dos anos 50, não a dos comercias, mas as solteiras e com filhos, obrigada aos infortúnios do destino para se sustentar e não se afundar em depressão e no alcoolismo. Ela vive nessa tênue linha, entre o desespero de uma realidade avassaladora com seu marido Humpty (James Belushi), um autêntico looser perante ao self made man americano, e a esperança de não perder jamais as esperanças, essas renovadas quando conhece o aprendiz de dramaturgo, Mickey (Justin Timberlake), mais novo que Ginny.


Assim como tiros na Broadway há em Roda Gigante (esse é o titulo no Brasil), um embate ou melhor uma opressão daqueles que se sentem acima, intelectualmente, dos seus pares, Ginny olha com incredulidade a maneira como Humpty come e se porta a mesa, de seus amigos aculturados, das pescarias e com essa a certeza de que ela não pode terminar os seus dias nesta situação, o tórrido romance que engata com Mickey, leitor voraz e prestes a iniciar mestrado em literatura, é uma promessa, se não de riqueza ao menos de conversas mais elevadas, de verdadeiros passeios e não pescarias e conversas que mais parecem discursões e brigas.

Uma outra coisa é a fotografia de Vittorio Storaro e se em Café Society quase não se vê a marca de Storaro, aqui em Roda Gigante ele está a vontade, e o resultado é uma aula de fotografia, de uso de cores e movimentos de câmeras que por si só já vale cada frame, cada minuto do filme, e o cenário, Coney Island dos anos 50, dos parque de diversão a beira mar da boardwalk no qual Storaro tira muito proveito disso, as luzes e colorido do parque estão sempre presente, confrontando a vida absurda de seus personagens.

Os finais trágicos e sem finais felizes, é uma característica dos filmes de Allen, mas não são por pessimismos, e sim por se amparar na trajetória dos personagens, que assim como na realidade, não estão alheio as suas decisões e escolhas cuja as consequências irão desencadear eventos que permitem finais abertos e por tanto novas aventuras.



segunda-feira, 8 de junho de 2020

Lifeforce


Por Pachá

Tobe Hooper já estava na lista de diretores inovadores, elevando o cinema trash ao patamar de arte com Texas Chain Saw Massacre de 1974, FunHouse 1981, Poltergeister 1982. E aqui preciso mencionar Bukowski quando disse que "é melhor fazer algo idiota com estilo, do que algo formidável sem estilo" Hooper incorpora essa frase com muita propriedade.

Life Force no Brasil saiu com titulo de Força Sinistra, um titulo bem ruim (a versão em VHS do anos 90, tinha titulo melhor, Vampiros de Almas), já que a história trata de alienígenas que sugam a energia vital do ser humano. A cena inicial é inspirada em Alien 8o Passageiro, e muito bem conduzida, dado ao budget do projeto, lembrando que Hooper é um diretor de de baixos orçamentos, mas sempre contornando com criatividade. Lifeforce teve um orçamento grande para os padrões da época 1985, cerca de 25MI USD, e foram muito bem usados, mas o filme foi um fracasso de bilheteria, e creio que isso prejudicou a carreira de Hooper, pois a partir dai ele não fez mais nada tão expressivo.

Um filme sempre me trouxe e traz lembranças da HQ Vampirella de Forest J Ackerman lançada em 1969.

A roteiro é inspirado em Vampiros do Espaço (Space Vampires), de Colin Wilson, lançado em 1976, que ajudou no roteiro mas após a obra pronta, disse que o filme era ruim. A trama se aproveita na passagem do cometa Halley, que na trama esconde uma nave de vampiros espaciais. Os efeitos especiais, VFx são muito bem realizados, mas a trama é muito previsível, e atuações forçadas.

No elenco o único rosto que veio a ser conhecido é o de Patrick Stewart que tem uma participação bem curta. Outro ponto no desenrolar da narrativa, é que os vampiros mais parecem zumbis, mas o trabalho de maquiagem e efeitos especiais são bem resolvidos.

Um filme para quem curte cine fantástico e Tobe Hooper. No vídeo abaixo há uma entrevista com Mathilda May a vampira, sex e mortal.