Mostrando postagens com marcador fotografos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador fotografos. Mostrar todas as postagens

sábado, 20 de junho de 2020

Jan Saudek

Jan Saudek: Trapped by His Passions, No Hope for Rescue (2007)

Por Pachá


Não há como não ter simpatia por Jan Saudek, o cara é boa praça, uma espécie de Modigliani em termos de encarar a vida, mas sem o temperamento deste. Espontâneo, dotado de grande senso de humor, típico dos artistas que conheceram o pior do ser humano, e isso é relatado por ele mesmo, quando por volta dos dos 8 anos, presenciou juntamente com seu irmão gêmeo, Kaja, os horrores da segunda Guerra na qual foram mantidos em campo de concentração.

O trabalho de Jan é inconfundível, com sua temática teatral e burlesca, e pelo fato dele estar na maioria das vezes na frente da câmera, e sem dúvida alguma um dos ícones da fotografia contemporânea. Zika que é fotografo comercial, consegue extrair de Jan grande carga afetiva, quando remonta os anos em que o artista viveu em um porão por conta da ocupação soviética, a foto com seu primeiro filho subindo uma pequena colina, tudo é tão imerso em afeto, carisma, cumplicidade e desprovido de mágoas, que aliás Jan não demonstra em nenhum momento, e se há ressentimento, tristeza, ele não culpa ninguém...

A abordagem participativa demonstra que a equipe e Zika criaram uma boa intimidade com Jan, mesmo este tendo desaparecido durante um mês após iniciada as filmagens. Porém a espontaneidade de Jan confere um dinâmica excelente para a construção do doc. expondo suas memórias e processo criativo sempre com muita lucidez e de forma muito arguta. Filme indispensável para quem curte, ama, e trabalha com fotografia.




Filme na integra com legenda em português. A qualidade não é das melhores. Tentei encontrar uma versão melhor, mas não encontrei nada além dessa do youtube.


quinta-feira, 28 de julho de 2016

Don McCullin


Por Pachá

Eu sempre procurei analisar os fotógrafos que admiro apenas pelas suas fotos, simples assim, não me interessava se o sujeito era um indivíduo prepotente, chato ou mesmo um boa praça, sua arte me basta, muito embora acredito com toda convicção que no momento em que o fotografo pressiona o dedo no botão disparador da câmera, o clique daquele instante trás consigo toda uma experiência de vida do fotografo, o que vê, o quê lê, escuta, ou seja, sua visão de mundo e mesmo os idiotas renomados podem apresentar interessantes visão de mundo.

Ao assistir o documentário Don McCullin reforcei minha convicção da experiência de vida no momento do clique, mas por outro lado refiz minha opinião a cerca dos sujeitos por trás das câmeras, não é simples assim, pois nem todos os artistas que admiramos tem sua vida transformada em filme. O fato é que a história de vida de McCullin por si só é extraordinária, até porque o sujeito ainda está vivo e fotografando.

A estrutura do documentário é bem interessante, pois é fundamentado em entrevistas e reportagens de época e claro as fotos mais marcantes seguida do comentário de McCullin. A trajetória do garoto pobre e brigão dos guetos ingleses até o ápice do fotojornalismo de guerra é cativante.

Nas palavras do próprio McCullin "A Fotografia tem sido generosa comigo, mas ao mesmo tempo está me destruindo". Os depoimentos de McCullin é de uma sobriedade e ao mesmo tempo desprovido de qualquer vaidade.

Acredito que é um dos fotógrafos de guerra que mais cobriu conflitos entre os anos 60 e 70. Hoje ele se dedica a fotografia de paisagem da Inglaterra.