quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Toni Erdman


Por Pachá
Família é um tema recorrente nos filmes europeus, seja como tema central ou pano de fundo. No filme austro-alemão Toni Erdmann a família é tema central. A relação entre um pai Winfried (Peter Simonischek) já idoso, e uma filha Inês (Sandra Huller) workholic que não tem muito tempo para família, mas o pai que vive em estado de humor constante, tenta de todas as formas quebrar essa distância.

O roteiro enxuto com diálogos centrados nos dois personagens, tem foco apenas na relação pai e filha, sugerindo que há alguma divida do pai com a filha que resultou nesse distanciamento. 

A busines woman tentando sempre provar para seus pares masculinos sua capacidade de executiva eficiente e eficaz aparentemente se choca com visão de vida de quem já viveu bastante, a ponto de questionar o quanto a filha esta se saindo "bem". O pai então cria um avatar, Toni Erdmann para acessar a filha e desse ponto em diante situações cômicas, ao estilo germânico surgem, criando a graça do filme.

A dupla protagonista, Peter Simonischek e Sandra Huller consegue na sutileza de diálogos poucos explicativos no âmbito familiar, dar profundidade ao drama de pai e filha. A cena da dupla cantando Whitney Houston é tragicômica, e define um pouco o tipo de criação de Inês que questiona o pai pelo que vale a pena viver, que o critica pela sua falta de ambição. 

O roteiro em minha percepção é dúbio quando explora  mundo corporativo, não fica claro se é uma critica ou uma consumação devotamente desejada ser uma selfmade woman bem ao estilo no pain no gain, a cena em que Inês arranca unha do dedão do pé para assim tocar importante reunião, deixa essa impressão.

O filme nos leva a reflexão sobre o momento em que tudo acontece, de bom e ruim, que na maioria das vezes não nos damos conta, a não ser quando vamos prestar contas com o passado na tentativa de reparar o presente. E assim se move os personagens, em embate constante entre passado e presente.

Toni Erdmann é um filme poderoso enquanto analise e reflexão de atos e conduta que vão direcionar relações, sejam elas familiares, amigáveis e profissional. E também um choque de geração numa visão mais simplista. O mundo rápido da conectividade instantâneas, liquida, moldado de acordo com as situações sem qualquer apego ao passado, do presente continuo. E o mundo lento, antiquado mas com intenso apego ao tempo enquanto unidade afetiva.


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