sábado, 15 de dezembro de 2018

Meus melhores filmes de 2018

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O diretor Boots Rilley faz uma divertida e inteligente critica ao capitalismo por meio das relações trabalhistas do telemarketing. Os diálogos enxutos e sempre amparados em conflitos dos personagens, principalmente da dupla Lakeith Stanfield como Cassius e Tessa Thmpson como Detroit, emulam o universo caótico, antagônico das relações trabalhistas e ainda escancara o racismo quando se sabe que atendentes negros tem menos chances de fechar vendas, a "voz branca" é a alegoria, construída e bem trabalhada por Rilley nesse sentido.


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Resultado de imagem para affonso uchoa arabia movie

A Vizinhança do Tigre , filme anterior de Affonso Uchoa  e João Dumas havia me impactado bastante ao retratar o cotidiano de alguns personagens, não atores interpretando eles mesmos, moradores de bairro pobre de Contagem - MG. A atuação entregue pelos personagens, principalmente, de Aristides de Sousa, é tão intensa, que o mesmo Aristides deu vida a Cristino em Arabia, um road movie mineiro construído a partir do diário de um trabalhador, Cristiano, que viajava pelas cidades mineiras em busca de emprego.

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Resultado de imagem para mandy movie

Os filmes de Panos Cosmatos são estranhos e porque não, sobrenaturais, mas são encharcados de intrigantes e boas imagens com histórias bem construídas, com diálogos parcimoniosos que entrega a trama em doses homeopáticas, e se para alguns o filme não tem pé e cabeça, é porque assim são os sonhos ou melhor, os pesadelos, e essa é a sensação que sou tomado ao assistir seus filmes, foi assim em Beyond the black Rainbow 2010 e agora com Mandy. Nicolas Cage esta a vontade no papel bem ao estilo coração selvagem, porém mais gore.

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Resultado de imagem para Rainer Sarnet november 2017

Rainer Sarnet é outro diretor que já havia caído em minha graça, com idiota de 2011, uma adaptação de Dostoievski. Em November, adaptação do livro Rehepapp do escritor Andrus Kivirahk, que trata do folclore da Estônia, o diretor Rainer Sarnet nos entrega uma historia de amor, nada convencional é claro, pois a mesma está imersa no sobrenatural e passagens hilárias ao estilo monty python. A fotografia em P&B de Mart Taniel aprofunda a atmosfera de mistério e sobrenatural da narrativa.

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Lucrecia Martel é sem duvida um dos grandes nomes do cinema argentino. Em Zama ela esbanja esmero em uma narrativa hipnótica, na trajetória do personagem Zama, em atuação soberba de Daniel Giménez Cacho, assim com Nachtergaele, alias atuações é um ponto forte do filme. Alem de uma narrativa cativante, Martel ainda nos coloca a par do processo burocrático que envolvia a gestão das terras espanholas na América.


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Resultado de imagem para florida project

A filmografia de Sean Baker em minha percepção é indelével. A estratégia de abordagem narrativa com profundo apelo documental é frequente em seus filmes, em Projeto Florida não é diferente, a historia de uma mãe solteira e sua filha é um retrato dos que vivem a margem do sonho americano. Com atuações poderosas o filme encanta por meio do olhar infantil, o complicado mundo dos adultos.

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O dilema quando não mais nos encaixamos nos desígnios de Deus parece ser o mote de Fist reformed (No Brasil,  no Coração das trevas), e ai a pergunta, "Deus nos perdoará?. Ethan Hawke entrega uma de suas melhores atuações, em minha percepção, ao encarnar atormentado padre que ao entrar em contato com casal de ativistas ambiental, agrava ainda mais seu estado de angustia. Paul Schrader estava devendo um bom filme há tempos.

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O  filme do diretor Faith Akim trata de forma muito convincente o xenofobismo inerente em grupos de supremacia branca na Alemanha, escancarando o medo nazista. Mas a atuação de Diane Kruger é tão intensa que uma única coisa fica patente, a vingança de uma mulher que perdeu tudo, e ai já não importa as motivações do fato. e sim, dente por dente, olho por olho. O diretor alemão descendentes de turcos, tem em seus filmes a questão do imigrante turco na Alemanha.



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Resultado de imagem para you were never really here

Em 2011 a diretora Lynne Ramsay tentou nos avisar, que precisávamos falar sobre Kevin, em You Were...parece que ele cresceu  (devaneio meu), mas de alguma maneira para ajudar com as cobranças da consciência, ele apenas martela os caras maus...Phoenix está irretocável, e atua com maestria um roteiro onde duas personalidade caóticas coabitam o mesmo ser, e ambas, andam a beira do abismo. Um filme poderoso, intenso, que esconde mais do que o que mostra sem parecer pretensioso.

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Resultado de imagem para kin 2018

Kin não é de longe o melhor filme de herói sci-fi, mas tem uma atmosfera dos filmes dos anos 80, como "o ultimo guerreiro das estrelas" de 1984, em parte pela produção, a mesma de stranger things mas também pelos diretores, os irmãos Baker, Josh e Jonathan que fazem uma grande homenagem, em minha percepção, ao exterminador do futuro. O filme é competente nos efeitos e tem um trama bem bacaninha.

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domingo, 9 de julho de 2017

Born Into This (Documentário sobre Bukowski) 2003

Por Pachá
John William Corrington disse, em 1962, que até o final do século XX Bukowski seria conhecido como o escritor que libertou a poesia dos clichês acadêmicos. Se isso é verdade, não sei dizer, o que sei que o velho safadão escrevia com a necessidade de um afogado agarrado ao bote salva vidas, e o documentário de Dullaghan mostra isso através de imagens e videos de arquivos, depoimentos de amigos e editores.

O filme mostra um Bukowski diferente do personagem criado em seus romances e poesias, quer dizer nem tanto assim, mas mostra um lado difícil de visualizar do escritor, um lado mais sentimental, sensível que fica patente em cena em que ele chora ao recitar um poema que fala sobre Linda King, e ele mesmo se mostra constrangido ao se pega tão sentimental.

Para quem aprecia a literatura do velho safadão, esse documentário é uma deliciosa imersão na vida e processo criativo do escritor, repleto de cenas de arquivos e depoimentos de caras legais como Tom Waits e Bono.





sábado, 10 de junho de 2017

Evolution (Evolução) 2015

Por Pachá
Evolution é daqueles filmes que divide a critica em seus pontos extremos, dos que acham o filme ruim, e daqueles que dizem se tratar de uma obra prima sensorial contemporânea.

Quanto mais assisto a filmes, tanto mais me convenço de que os mesmos não necessariamente precisam fazer sentido, desde que a veracidade interna da obra seja convincente. Evolução em minha percepção peca por esse deslize, na veracidade interna. Há uma certa pretensão nesse tipo de filme, de querer fazer das imagens muito mais do que elas são. A cinematografia do filme, é exuberante tanto que ganhou prêmio no festival de San Sebastian em 2015, mas os poucos diálogos e muita sugestão por parte do roteiro acaba por prejudicar a trama como todo. Mas por outro lado esses filmes são vias largas para interpretações, ainda mais quando se trata de roteiro original, e creio que nesse sentido se apoia o grande mérito de Evolution.

O local é uma ilha sem localização. Seus habitantes são mulheres, com visual andrógino, e seus respectivos filhos na faixa dos dez anos de idade, apenas meninos. Há algo de estranho e sobrenatural até no comportamento dessas mães e seu relacionamento com o mar, que mais lembra uma espécie de bruxas do mar. O ritmo excessivamente lento do enredo ainda que avance, libera muito pouco sobre os personagens. Destaque mesmo para Nicolas (Max Brebant) que ao descobrir por acidente um corpo no recife de corais onde mergulha, relata para sua mãe, que o desacredita dizendo que o mar nos faz ver coisas.
As crianças que habitam essa ilha paradisíaca, de acordo com a história nunca viram outro mundo a não ser este, e a partir desse fato o roteiro tenta nos induzir uma realidade compatível com que seria uma vida terráquea normal, sim, pois dado altura, dentre as muitas interpretações, é possível seguir a linha de uma raça alienígena que abduziu crianças e com elas fazem experiências de biogenética ou bioengenharia. Essa raça assim como os humanos teriam sua origem nos oceanos. 

Nicolas parece ser o único que tem flashes de memórias de um mundo do qual foi retirado, ou talvez nunca tenha conhecido, pois ele desenha coisas, como uma roda gigante, carro, gato, bicicleta, coisas que não existem nessa ilha. O roteiro, é muito sugestivo no sentido de trabalhar motivos das experiências ou mesmo existência desse lugar. Outro ponto bem interessante do roteiro é colocar a história sob a ótica de uma criança, e consequentemente de suas interpretações que acaba sendo também a do espectador.

As interpretações não são o ponto forte do filme, dado aos raros diálogos porém com um direção segura e consciente com explicito foco na arte e fotografia, o filme cria atmosfera carregada de mistérios, que não são revelados, e deste, é onde reside as divergências quanto a qualidade da obra. No âmbito geral, o filme é agradável, e não abusa do tempo de duração, o filme tem pouco mais de 80min, e profundamente amparado no visual estonteante da ilha vulcânica em meio ao oceano.