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sábado, 21 de maio de 2022

Os Filhos de Duna

 
Por Pachá

Com a suposta morte de Paul Muad'Dib  o trono vive o interregno com Alia, irmã de Paul, assumindo o trono até que os gêmeos Ghanima e Leto II tenham idade para tal. Essa transição causa fratura e fragmentação na estrutura do governo que mantém a casa Atreide no poder. Alia cada vez mais dominada pelo consumo excessivo de especiaria está sucumbindo a abominação, que é quando os ancestrais tentam possuir a mente dos afetados, e em caso de sucesso, o conduzem a realizar seus desejos. No caso de Alia seu ancestral é o abominável barão Harkonnen. Abominação é o maior temor das Benne Gesserit. E Alia concentra o poder religioso, politico e militar de Arrakis. E ai fica fácil entender os motivos pelos quais o poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente.

A fragmentação está contida nos três Atreides, mãe de Paul e Alia, Lady Jessica que sai de seu exílio em Caladan, exílio imposto por Paul. Alia que nutre a veia religiosa que sustenta a jihad Fremen, amplificando ainda mais a ameaça que sempre foi para as Benne Gesserit. Ghanima e Leto II que se mostra uma ameaça tanto para Alia quanto para lady Jessica, uma vez que também são uma ameaça para as Benne Gesserit. E para acirrar ainda mais a tensão pelo poder, a casa Corrino do imperador deposto Shadam IV tem no seu neto Farand'n Corrino, filho de sua terceira filha, Wensica Corrino, um forte sucessor para ocupar o trono, não por vontade deste, e sim de sua ambiciosa mãe Wensica que trama a morte dos gêmeos.

As revoltas tomam conta o planeta árido, agora não tão mais, pois a tecnologia adquirida pelas conquistas fremem em outros planetas, proporcionou o sonho de Kynes de tornar Arrakis um planeta verde e com água, mas não imaginou que isso iria acabar com as tradições do povo Fremem ou mesmo com a especiaria, já que água é mortal para os vermes, e sem estes não há especiaria. As tribos mais tradicionais abominam essas mudanças e amaldiçoa Paul Muad'Did e os Atreides por serem os causadores das mudanças climáticas e sociais. E dentro desse contexto social, Alia enxerga inimigos em todos os lados, e consequentemente aumenta a repressão.

“Antes, ali era a terra onde nada crescia. Agora há plantas. Elas se espalham como piolhos numa ferida. Temos nuvens e chuva por todo lugar em Duna! Chuva, milady! Oh precisa mãe de Muad’Dib, assim como o sono é o irmão da morte, é a chuva no Cinturão de Duna. Ela é a morte para todos nós.”

Leto II e Ghanima estão certos que devem acabar com legado de seu Pai e seguir o Caminho Dourada para restabelecer o controle do planeta Arakis e estancar o derramamento de sangue em nome do deus Muad'Dib, e isso desafia o governo de Alia que tenta a todo custo manter o legado do irmão.

Um dos livros mais belo e interessante da saga. E creio ser este o livro que mais aprofunda e expande o universo de Duna.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Messias de Duna

 
Por Pachá

O segundo livro da saga de Duna tem uma trama ancorada em uma conspiração contra Paul Atreide, Muad' dib,Usul ou Kwisatz Haderach para as Bene Gesserit.

Após destronar o imperador Shaddam Corrino IV, Paul é tomado pelos fremens como um deus, e assim como profetizou as suas visões, os fremens partiram para o jihad em nome de Muad'Dib conquistado outros planetas. Isso inflou a ira de outras casas, mas principalmente da corporação, das Bene Gesserit e Bene Tleilax, esta bem mais maquiavélica que as Gesserit. Os tleilaux (dançarinos facial) são uma organização que assim como as Gesserit praticam a eugenia para alcançar linhagens que promova o equilíbrio entre os poderes, desde que seus interesses sejam preservados. 

Frank Hebert cria uma narrativa mais densa, e expande ainda mais o universo de Duna, ainda que seja mais curta que o livro um. Nesse continuação há todo o trabalho de diálogos e construção de personagens, seus conflitos e intenções, conferindo uma ferrenha briga pelo poder, que quando bem conduzida é sempre mais atraente que a luta aberta. Esse livro pode ser visto como o desfecho do livro um, em comunhão com ditado, chegar ao poder é uma coisa, se manter nele é uma outra coisa.

Refém do próprio poder, a presciência, pois quanto mais futuros possíveis Paul consegue vislumbrar, mais é consumido pela ação, e como todo herói trágico, Paul sente o peso de suas ações e a todo custo tenta se afastar dessa jihad, mesmo que para isso tenha que fazer sacrifícios, e quanto mais ele tenta evitar eventos futuros, mas ele fica refém das ações no presente

É possível perceber nesse volume o quanto o universo star wars e game of thrones bebeu nessa fonte. E não só eles, Philip K. Dick também foi muito influenciado pelo universo de Duna.

Livro subestimado pelo público em geral, que esperava mais batalhas, e esquece que a batalha interna, contra aqueles que rodeiam o imperador-deus, tentando usurpar o trono também tem seus atrativos.

sexta-feira, 26 de março de 2021

Duna


Por Pachá

A saga de Duna começou a ser publicada em 1963, e em forma de capítulos, na revista especializada em sci-fi, Analog. Na época ficção cientifica era consumida em histórias curtas, contos, mas que no caso de Duna, muitos aconselharam Herbert a lançar a saga como livro, mas o vasto universo criado por Herbert não caiu no gosto dos editores do gênero. Em mais um exemplo de como a arte é injustiçada quando se coloca interesses comerciais acima da genialidade ou a falta de conhecimento, ousadia, diante do novo. E como a história nos mostra, nesses casos, é preciso a intervenção de alguém que não esteja comprometido apenas com maximização dos lucros, e que possua a percepção de estar diante de algo fresco e novo, e esse papel coube a Sterling E. Lanier editor da Chilton Book Company que era uma editora de livros técnicos, como manuais para consertos de equipamentos das mais variadas finalidades.

A obra de Herbert é tão seminal, que não só mudou a maneira de se pensar o gênero, como também influenciou obras como Star Wars e Game of Thrones, Guia do Mochileiro das galaxias, só para citar alguns. A partir de Duna se rompe com a ficção tecnicista, explicativa, de Isaac Assimov. Herbert cria um universo complexo e em mínimos detalhes, basta ver os anexo do livro 1, no qual há capítulos sobre protagonistas, religião, politica. Todo o universo concebido é isento de computadores, pois tecnologias que se assemelhassem a mente humana é terminantemente proibida. Sim, claro é um ponto cego na trama, pois essa tecnologia poderia ser cobiçada pelas demais casas para ampliar seu poder. Porém, engenhosamente Herbert substitui essas máquinas inteligentes pela especiaria, item de imensa cobiça pelo império (lembra da época das navegações), pois é por meio dela que é possível realizar longas viagens intergaláticas.

Ao introduzir aspectos da idade média com tecnologia alienígena e sem muitas explicações de como certas coisas funcionam, como por exemplo a dobra do espaço-tempo que permite as viagens intergaláticas, Herbert cria larga via para explorar intrigas palacianas, disputas feudais e a construção do mito, no caso Paul Atreídes que vai encarnar o messias salvador do povo de Arrakis ou planeta Duna, e ai nos damos conta de que os aspectos sci-fi se transformam em pano de fundo para o desenrolar da trama e a trajetória do herói.

O livro 1 da saga, Duna, começa com uma armadilha em curso arquitetada pela casa Horkonnen cujo líder é o barão Vladimir Harkonnen. Essa armadilha é percebida por Duque Leto Atreídes, que por outro lado não pode fugir, pois diante disso criará a ruína de sua casa, Atreides, perante as Grandes casas.

A narrativa é feita a partir do futuro pela percepção de Irulan a filha do imperador Padishah Shaddam IV, este temia a grande popularidade e carisma da casa Atreides e como todo fraco e omisso imperador, trama a destruição da casa Atreides.

A construção dos personagens é nitidamente, em algumas passagens, sacrificada em detrimento dos detalhes e tramas principais, mas a medida que nos aprofundamos no universo dos personagens criamos empatias e carismas.

Duna é uma obra, sem a menor duvida ou risco de pretensão, pela qual outras obras devem ser medidas e comparadas.

A saga é composta por 6 livros:


Duna - 1965

O Messias de Duna - 1969

Os Filhos de Duna - 1977

O Imperador Deus de Duna - 1981

Os Hereges de Duna - 1984

As Herdeiras de Duna - 1985