sábado, 10 de junho de 2017

Evolution (Evolução) 2015

Por Pachá
Evolution é daqueles filmes que divide a critica em seus pontos extremos, dos que acham o filme ruim, e daqueles que dizem se tratar de uma obra prima sensorial contemporânea.

Quanto mais assisto a filmes, tanto mais me convenço de que os mesmos não necessariamente precisam fazer sentido, desde que a veracidade interna da obra seja convincente. Evolução em minha percepção peca por esse deslize, na veracidade interna. Há uma certa pretensão nesse tipo de filme, de querer fazer das imagens muito mais do que elas são. A cinematografia do filme, é exuberante tanto que ganhou prêmio no festival de San Sebastian em 2015, mas os poucos diálogos e muita sugestão por parte do roteiro acaba por prejudicar a trama como todo. Mas por outro lado esses filmes são vias largas para interpretações, ainda mais quando se trata de roteiro original, e creio que nesse sentido se apoia o grande mérito de Evolution.

O local é uma ilha sem localização. Seus habitantes são mulheres, com visual andrógino, e seus respectivos filhos na faixa dos dez anos de idade, apenas meninos. Há algo de estranho e sobrenatural até no comportamento dessas mães e seu relacionamento com o mar, que mais lembra uma espécie de bruxas do mar. O ritmo excessivamente lento do enredo ainda que avance, libera muito pouco sobre os personagens. Destaque mesmo para Nicolas (Max Brebant) que ao descobrir por acidente um corpo no recife de corais onde mergulha, relata para sua mãe, que o desacredita dizendo que o mar nos faz ver coisas.
As crianças que habitam essa ilha paradisíaca, de acordo com a história nunca viram outro mundo a não ser este, e a partir desse fato o roteiro tenta nos induzir uma realidade compatível com que seria uma vida terráquea normal, sim, pois dado altura, dentre as muitas interpretações, é possível seguir a linha de uma raça alienígena que abduziu crianças e com elas fazem experiências de biogenética ou bioengenharia. Essa raça assim como os humanos teriam sua origem nos oceanos. 

Nicolas parece ser o único que tem flashes de memórias de um mundo do qual foi retirado, ou talvez nunca tenha conhecido, pois ele desenha coisas, como uma roda gigante, carro, gato, bicicleta, coisas que não existem nessa ilha. O roteiro, é muito sugestivo no sentido de trabalhar motivos das experiências ou mesmo existência desse lugar. Outro ponto bem interessante do roteiro é colocar a história sob a ótica de uma criança, e consequentemente de suas interpretações que acaba sendo também a do espectador.

As interpretações não são o ponto forte do filme, dado aos raros diálogos porém com um direção segura e consciente com explicito foco na arte e fotografia, o filme cria atmosfera carregada de mistérios, que não são revelados, e deste, é onde reside as divergências quanto a qualidade da obra. No âmbito geral, o filme é agradável, e não abusa do tempo de duração, o filme tem pouco mais de 80min, e profundamente amparado no visual estonteante da ilha vulcânica em meio ao oceano.


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