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sábado, 2 de novembro de 2013

L'éventreur de Notre-Dame (Exorcista Diabolico)

Por Pachá

Jess Franco tem um filmografia extensa, isso é fato. Seus filmes transitam por universos fantásticos, quase sempre com temáticas de horror e erotismo. Exorcista Diabólico (L'éventreur de Notre-Dame) de 1979 explora o lado oculto dos fetichismo. Um grupo de ricaços tem nas sessões de missas negras, encenadas teatralmente, passatempo contra o tédio. As sessões organizado pelo jornalista Pierre de Franval (Pierre Taylou) acabam sempre em orgias para divertimento dos seus ricos leitores, que o acompanha quinzenalmente, nos contos de suas revista de terror e erotismo. O grande chamariz de sua revista, são os contos do misterioso Vogel, interpretado pelo próprio Jess Franco ou Jesus Franco. Sujeito recluso, Vogel escreve com grande propriedade, cenas de torturas e exorcismo, e segundo ele, não são apenas ficções, e sim experiências vivenciadas.


Vogel é na verdade um ex-padre que fugiu do sanatório e agora comente assassinatos acreditando que esta expulsando o demônio de pecadores. Suas técnicas são tal qual as praticadas na idade média. Acreditando que o grupo de Franval está mesmo realizando atos de satanismo, Vogel passa a perseguir e assassinar os participantes. Ao passo que nutre repulsa contra os pecadores, Vogel desenvolve fixação pelas protagonistas Anne (Lina Romay) e Martine (Catherine Lafferière). 


O filme é B até o osso. Falta de continuidade, cortes inoportunos, diálogos descabidos. O no sense permeia a trama, assim como toda filmografia de Jess. Mas tudo é tão ruim que tem sua graça, um estilo que marca esse tipo de produção e que alguns filmes tentam copiar, porem sem sucesso. Pois até para se fazer algo ruim é preciso estilo. A fotografia granulado, com contrastes característicos da psciodelica década de 70 ajudam a criar esse ar de ruim com estilo. Dentro do contexto social e comportamental, há abordagem da liberação sexual, a emancipação da mulher pós movimento feminista dos anos 70. O filme abre com uma cena de sadomasoquismo entre duas mulheres, Anne e Martine. Não há pudor, as atrizes mostram tudo e a todo momento.


O DVD em questão faz parte da coleção clássicos de terror da Eurociné lançado no Brasil pela Vinny Filmes. Os DVDS podiam trazer material extra, como entrevistas, making off… mas a maioria e já possuo cinco titulos da serie, são pobres de material extra, pelo menos a qualidade das imagens foram garantidas, conforme promessas da produtora. Veja os títulos.

Já Lançados:
Crismon – A Cor do Terror (Crimson – the Color of Terror, 1976)


O Beijo do Diabo (The Devil Kiss, 1975)


O Exorcista Diabólico (Demoniac/Exorcisme, 1979)


O Lago dos Zumbis (Zombie Lake, 1981)

O Monstro do Dr. Orloff (The Invisible Dead/Orloff and the Invisible Man, 1971)

A Maldição da Vampira (Erotikill, 1973)



Massacre das Barbys (Vampire Killer Barbys, 1986)


Oasis dos Zumbis (Oasis of the Zombies, 1981)


A Queda da Casa de Usher (Revenge in the House of Usher, 1982)


A Eurociné é um estudio francés fundado em 1937 que funciona até hoje e ficou conhecido pelos seus filmes violentos, eroticos entre as décadas de 60 e 80.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Venus in Furs + 99 Womem

Talvez você não conheça Clifford Brown ou David Khume ou quem sabe Jesús Franco todos esses são alcunhas para o mesmo sujeito, Jess Franco cineasta espanhol que tem no currículo mais de 200 filmes B lançados. Com uma filmografia tão extensa Jess transitou por apenas dois temas, o horror e o sexo, sexploitation, mas seu aprendizado foi com os grandes dentre os quais é bom frisar o Orson Welles quando este passou pela Espanha. Jess dirigiu grandes nomes como; Christopher Lee, Klaus Kinski, Jack Palance e também filmou alguns pornôs e foi nessa sessão da loja vídeo locadora em que sou sócio que conheci as duas obras de Jess Franco que vou comentar, mas explico, quando assisti a “Garota de Programa” de Steven Soderbergh estrelado pela atriz pornô Sasha Gray fiquei curioso com a guria e fui conferir, podia ter baixado um filme, mas lembrei que a última vez que aluguei um pornô estava na casa dos 18 anos creio, pois bem, fui até a parte da loja para esse tipo de filme, sempre segregada, e passeie pelas prateleiras e me deparei com Venus in Furs e 99 women ambos de 1968 a 1969 respectivamente, porque estavam lá? Provavelmente alguém viu a capa, e deduziu que era pornô, uma vez que os títulos estavam em inglês. Descobri ao pesquisar sobre o diretor no blog, viver e morrer no cinema, ser estes filmes da melhor fase do diretor que vai de 1968 a 1980. Embora conhecesse por nome, Jesse Franco, nunca havia assistido a qualquer coisa dele, a sinopse estava em inglês e dizia apenas possuir cenas de alto teor erótico e legendas em português, pois bem aluguei-os juntamente com um filme da Sasha Gray, que não é motivo dessa análise.

Venus in furs (Paroxismus) é considerado a obra prima do diretor, onde a maturidade se dá pela perfeita harmonia entre, mistério, suspense e erotismo dentro da estética de Franco. James Darren, ídolo da época, vive o misterioso Jimmy um trompetista que perdeu a memória e na busca para saber quem ele é, se envolve com um grupo de sadomasoquistas formado por, Klaus Kinski (Alhamed), Margaret Lee (Olga) e Dennis Price (Percival). Jimmy presencia a tortura da bela e exotica Maria Rohm (Wanda) fica confuso e obcecado pela beleza de Wanda, e não termina de ver o final da tortura. Na manhã seguinte Jimmy encontra o corpo de Wanda em uma praia de Istambul e passa a ser perseguido pela presença de Wanda. Na tentativa de pôr as idéias em ordem e aplacar seu senso de culpa, Jimmy parte para o Rio de Janeiro para encontrar sua namorada Rita (Barbara McNair) , mas para sua surpresa Jimmy encontra Wanda em uma festa, levando-o a pôr em cheque sua sanidade. As atuações são muito corretas, mesmo para o Kinski que teve um curto papel. Darren encarna com maestria o Jazzman atormentado, Maria Rohm esbanja frieza e sensualidade e Barbara McNair é puro fulgor. Há uma cena que merece atenção, em que ela, McNair, que interpreta uma cantora, canta a música título venus in furs . Embora homônimo ao livro Veunus in Furs do escritor austríaco Leopold Von Sacher-Masoch escrito em 1870 que ajudou a criar o termo masoquismo, o filme de Franco não tem nenhuma conotação a não ser o título.



Venus In Furs - 1969


99 Women - 1968
Ao assisti 99 women percebe-se porque ele deve ficar na sessão pornô. Sim o filme tem penetração, mas as cenas são completamente desconexas, as atrizes, os atores e até os cenários não tem ligação alguma com a cena corrente, mas isso é uma característica do cinema de Franco. Há também um certo abuso do uso de fade in fade out. A história se passa em uma penitenciaria tipo Alcatraz, cujo nome é Castelo da Morte, que possui 99 detentas. A numero 99 é Marie (Maria Rohm) acaba de chegar, ela é ingênua, sonhadora e como todo condenado, alega inocência. A numero 76 é Zoe (Rosalba Neri) atriz italiana de beleza estonteante, que é lésbica e passatempo predileto do Governador do presido, vivido por Hebert Lom que tem como braço direito a diretora Diaz na pele de Mercedes McCambridge, mulher durona que tem a mania de baixar a porrada quando a coisa tá errada e manda direto para o buraco, uma espécie de solitária. Mas a rotina do presídio muda com a chegada da nova diretora, Carol (Maria Schell) que é mais humana, filosófica e passa a tratar as meninas com mais dignidade, mas detenta é a imagem do cão, e elas logo organizam uma fuga. Clássico do cine Z 99 women agrada pelo estética do no sense, presidiárias com unhas bem feitas, cabelos sempre bem tratados, creio ser o filme de Franco com maior apelo sexual sem ser um pornô.