sexta-feira, 15 de abril de 2011

Imagens Mágicas


Por Pachá
Pronto. As luzes se apagam. E tudo ao meu redor aguça ainda mais os momentos que precederam esse mergulho fugaz de fuga imediata da realidade que me rodeia; o cheiro da pipoca misturado ao de poltronas e carpetes gastos pelo tempo e uso, a conversa idiota do casal clichê, os irritantes sons de embalagens plásticas ou de papel, daqueles que divertem a fome enquanto ganham tempo, o cochicho do casal cult, o silêncio daqueles que como eu apenas querem devorar o tempo com parcimônia, e modesta, dos prazeres que ainda nos são outorgado. São duas horas de esvaziamento total de vontades preenchidas pelas imagens prontas que nos sugere; dor, perda, amor, ódio, alegria. De imagens que mexem com nosso imaginário que banham nossas retinas e ativam complexas reações neuroquímicas liberando doses de endorfina, serotonina, oxitocina.

No escuro a catódica luz me guia a nova e delicada realidade, frágil como bolha de sabão, mas que dura uma centena de minutos, sorvidos, inflados que desnorteia minha noção de tempo. Eles não são um bando de bocas, dubladas, legendadas. Suas mensagens são diretas, por vezes subliminares em imagens que instigam o voyeur pronto a despertar dos recantos mais obscuros da alma e mente, esta, atenta a imagens que podem nos perseguir por dias, meses, anos até, guardadas em nosso subconsciente, prontas a emergir na mais iminente associação, e ai, vida imita a arte.

Desfaço-me de pensamentos clichês, procuro nas cores e sons os sentidos de algo maior, mas nem sempre é possível dar sentido a sons e fúrias desse caleidoscópio e tudo não passa de bocas falantes, abrindo e fechando sem nada a dizer. O tempo me é roubado, sem recompensa, sem a percepção de troca justa, sem pedidos de desculpa. Inebriado pelas possibilidades, minha mente vaga por planos, cortes e movimentos na tentativa de qualquer detalhe que alimente emoções, sensações por mais barata que sejam, mas, as vezes o todo é pior do que ruim... é quase bom. E nessa triste constatação, me resigno e por fim acalento expectativa de melhores emoções, melhores sensações. Me esparramo na poltrona de meu mundo desfeito.

A persistência é inesgotável, assim como oferta. As favas bonecos, aplausos e cadeiras, quero emoção minha e somente da minha percepção, quero tudo com meu pensamento investigar e assim moldar minha opinião. E ao sair desse escuro sonhador que as idéias não se vaporizem diante da brilhante e fria realidade.

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