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domingo, 7 de dezembro de 2014

Go Straight to hell Patricinha!


Por Pachá


 GO straight to hell patricinha!©
 

Seu universo opaco e vazio, se resume a desejos fúteis.

Seus dias, preenchidos com trivialidades,

As noites, o ápice da procura pelo sentido de sua existência.

Mas claro, que ela não sabe disso...

-       Tipo assim sabe, não estou intendendo nada, meio bizarro esse lance né!?.

Mas o mundo não te esquece,

E aquele endereço da vidente mãe de santo era tão convincente.

-       Olhe minha filha, você tem um serviço trancando seu caminho.

-       Sinistro, o que eu faço?!

-       Para abrir os seus caminhos você precisa fazer...



Meia noite, bode preto, cachaça e farofa tudo na encruzilhada,

Tudo fino, tudo lindo

E as portas se abriram ahahahaha, e o Tranca Rua veio logo dizendo,

-       Quem me chama, quem me quer...

-       Sou eu seu Tranca Rua

-       mais que isso...minha lorinha, que cheiro bom é esse?!

-       É Dolce & Gabanna...

-       Tô mesmo precisando duma madame assim..Uuhahahaha



GO straight to hell patricinha!

GO straight to hell patricinha!



Que nunca ouviu falar de Rimbaud,

Passou uma temporada no inferno.

Cabeleireiro não tinha não, shopping só do lixão das almas sebosas,

Citycol, xepa e braçada é tudo de bom na hell’s fashion.

E sua fútil criatividade contaminou terrero,

Elevou pecado da vaidade a preço de almas.

Não tardou, cheiro de enxofre se perdia em alfazema suíça.

A confusão enfureceu o tranca rua,

Mas os ignorantes são felizes, não sentem dor.

E agora, mas com mil demônios...

E o terrero virou grande passarela.

E dos 7 pecados 1 restou, a gula, porque obesidade nem o diabo gosta,

Na ordem subvertida nos desejos da patricinha from hell,

E sua estética do fútil e bitolado tipo assim sabe...



GO straight to hell patricinha!




terça-feira, 19 de junho de 2012

Mulher é como Maré

Zdzisław Beksiński

Todos os dias me embriago com sonhos acalentadores, 
De peles rosadas, boca úmidas sensíveis como orvalhos.
De grandes luas que me fazem querer chocar contras as rochas
E com elas dormir pra acordar no brilho do sol de seu sorriso.
Mas tudo é apenas uma idéia, um conceito
Embalado em invólucro de carne, osso e desejos,
Que quando bem modelado,
Desperta volúpia e domínios.
E a certeza de que nunca mais poderei ficar sozinho.

Por Pachá ® todos os direitos reservados.

sábado, 2 de junho de 2012

Escuridão e Silêncio


Arrastado pela escuridão de seu olhar,
Flutuo no silêncio de sua paixão.
Tento me desvincilhar da fera perdida,
Mas a lua me traz você, e me perco.
Grato, insano, me encontro na parte que te tenho,
E transbordo na areia da ampulheta quebrada, do tempo perdido
Que a chuva arrasta para sonhos febris.
A sombria dança de suas entranhas, pulsa no suor de minha pele,
Que tem gosto de suas lágrimas.
Penso em dizer que tudo está bem, mas meu abraço é frio,
E minhas mentiras embalam sensações há muito esquecidas.
Te carrego, te protejo. Me embriago no fel de vazia imaginação,
Do cansaço que nos corrompeu. Tento correr, mas minhas pernas,
Tem o peso de suas mágoas. Me afundo em lembranças cegas,
De desculpas mudas, e me escondo na escuridão dos meus dias,
E no silencio de minhas noites.


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quinta-feira, 29 de março de 2012

Gélido Abraço

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de Matos - Abraço de Morte

No frio aconchego de sua sala,
O mundo é fantástico e sobrenatural,
Não há impasses tampouco reprovações,
Todos são bons ouvintes.
Eles vem e vão, os nomes não importam,
Rostos e corpos ficarão estampados na lembrança.
No corpo gélido, embalo de sonhos ardentes.
No abraço sem vida tem-se ritmo de emoções desesperadas,
Consumida com determinação e maestria dos que sabem esperar,
E numa noite, celebração dos desejos de uma vida,
Noutras situações ela jamais o notaria.

Na sua pungente dança, tempo não mais existe,
No requinte do seu amor, lembrete da mortalidade,
Cada minuto, em cada movimento,
Logo ela partirá como tantas outras,
Levando pouco de vida que ainda te resta,
Levará vida ainda que efêmera em carne morta.
Deixará lembranças de vida em morte vivida,
Encharcará terra com volúpia do dia.
Noutras noites ela jamais o notaria

No silêncio das curvas de triste corpo os toques são estáticos,
Não há violação, apenas instinto.
No olhar gélido de pálidas retinas,
Não há despedidas, apenas o cair da noite.
Na angustia dos gritos velados pelo silêncio,
A compensação de toda amargura e invisibilidade.
Nos movimentos calculados, fúria contida de frios olhares,
No quente suor que se perde no Gélido abraço.
Noutros tempos ela jamais o notaria.

O momento é fugaz, desfrutado com regozijo,
Suas palavras nunca disseram nada,
Em seu coração, já não sente o que os olhos vêem,
Mas hoje, luar sela peles numa só,
E somente esta noite te amo para esquecer-te ao amanhecer,
Te aqueço para em seguida entregar-te ao frio da escuridão,

E tudo que restará viverá na lembrança de pigmentos sem vida.

Por Pachá ® Todos direitos reservados.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

CaDê?

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Max Ernst -La Joie de Vivre


Cadê a calma que aqui estava?

- A angustia levou.

Cadê o anseio que mantém o sentido de continuar?

- O desespero engoliu e cuspiu desculpas mais descabidas.

Cadê a esperança de dias melhores?

- Foi entorpecido pelo fel do fracasso.

Cadê a decisão de jamais desanimar?

- Se enamorou na preguiça.

Cadê quem aqui deveria estar?

- Não conseguiu sair dos meus sonhos.

Cadê a melodia das palavras que confortam?

- Se enfraqueceram tentando vencer surdez do ódio.

Cadê o foda-se, alto e  bom tom, que as vezes é preciso?

 - Se engasgou no soluço do choro.

Cadê  o curativo que fecha feridas de coração e mente?

- Não tem tamanho pra dor do coração nem correta dose pra insanidade.

Cadê a coragem pra sempre tentar fazer valer a pena?

- Foi atropelada pelo caminhão do egoísmo.

Cadê o perdão do pensamento covarde?

- foi negado pelo inevitável.

Cadê o alivio pra alma?

- Não venceu medo da morte.

Pachá® todos direitos reservados.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

RoStos

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A cidade tão pequena, tão cheia de rostos.
Todos os dias te procuro,
Na esperança que me reconheça.
Todos os dias essa certeza me invade, me da forças.
Eu sei onde você vai estar,
É demorada a espera, não me canso.
Entre nós, espaço e o tempo de uma época.
Em sua existência o prazer silencioso,
Uma música que nunca ouvi um livro que nunca li.
O pensamento em você me acalenta, me conforta.
Não sei o que te dizer, minha alegria é real,
Anseio pelo o abrigo do teu corpo e a calma de suas palavras,
A confiança do teu olhar, o incentivo de seus gestos.
Apenas desejo,desvendar seus mistérios, fazer parte dos seus segredos.


Pachá ® Todos os direitos reservados

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Starry Night


O cálido brilho do fim de tarde,
parece tornar tudo possível.
A brisa alaranjada ludibria a noite que se anuncia.
Sacudo manto da solidão, enquanto a escuridão não vem,
vou deslizando entre os olhares,
das janelas dos coletivos,
das portas dos bares
A procura do olhar que paralise minha agonia,
do cansaço que me consome.

Tempo é um adversário imbatível,
a angustia companheira insana.
Não há onde se esconder.
Apenas vou seguindo sem saber onde chegar.
Sorrindo riso pálido da dor amuada.
Sofrendo calado sorriso negado.
mas vou seguindo, sofrendo e sorrindo,
nesse amontoado de cores e sons sem sentido.
As vezes sinto algo em seu olhar,
mas é puro devaneio de mente atormentada,
pura carência de sentimentos abandonados,

Mas vou seguindo transbordando minha soberba agonia...

Pachá ® Todos os direitos reservados

sábado, 4 de junho de 2011

Em Um Quarto Qualquer - Tomo Derradeiro

 
Insólito e improvável
(Você vai e eu fico)

Em um quarto Qualquer - Tomo I e II 
 Pachá ® Todos os direitos reservados

O pequeno teto paira sobre meus pensamentos, por uma fração de instante me alegra, um teto sem luz, melancolicamente borrado. Mas a bebida trabalhará por oito horas em meu corpo, corroendo  fígado, alargando artérias, secando garganta, esmagando cabeça como imensa morsa fazendo pensamentos saltarem feito pipocas - Como o pica-pau consegue bater o bico 12 mil vezes por dia e não sentir dor de cabeça? O Teto parece criar vida. Penso nos amigos que me faltam. Penso como ensandecido assassino covarde. Seria capaz? Roubar, matar quem sabe? O teto começa a pulsar no ritmo da minha cabeça. Penso em Tanita, como somos infelizes, como somos carentes, quero sempre perguntar se sou bom irmão, ahahah, outra piada, que nem mesmo consigo disfarçar vontade de chorar, mas me falta coragem, pois sou um covarde medíocre na maioria das vezes, na outra apenas abjeto, com dor de dedo furado com alfinete, com meu egoísmo comedido de sujeito liquidado e sua matemática do homem medíocre - ahh, ahh, que grande piada e começo pensar em Marcelle, garota que vende fantasias e prazeres em curvas longilíneas, tão infeliz quanto eu, tão sonhadora quanto as que povoam meus sonhos, tão gostosamente solitária quanto uma boneca de silicone japonesa. 

E os pensamentos vão escorregado do cérebro pra retina. Visualizo nosso relacionamento, sincero, altruísta. Eu chegaria em casa, a esperaria, talvez o dia já teria amanhecido, e então perguntaria como foi o dia, ela me olharia, daria gargalhada que aos poucos se transformaria em soluços de choro abafado, choro de crispas lágrimas. Ela colocaria cabeça em meu colo e com voz aveludada de putain mélancolie, diria que teve um dia cheio, cheio de homens bolinado em seu corpo, cheio de remexerem a suas entranhas, cheio de líquidos ora viscoso ora apenas liquido e sem vida, cheio de gritos e de mentiras, e que agora queria poder dizer que nada disso importa, pois quando está comigo só existe o futuro de um breve presente, esse momento, e que ninguém conhece suas  covinhas quanto eu, e que as quartas-feiras apenas eu e somente eu posso desfrutar de sua bolsinha de rugosas pregas. Mas tudo é tão insólito quanto improvável. Eu a escutaria, cuidaria, colocaria para dormir, a vestiria pela manhã e a despiria a noite ou de manhã, não falaria que me sinto como um bondoso rufião, pois é assim que ela me vê, é assim que ela costuma dizer – Puta não tem namorado, tem cafetão. E assim permitiríamos o insólito e o improvável permear as nossas vidas, aplacando nossos anseios, nossa solidão. Mas a musica da casa do amor me acalma, acalma o teto sem luz e borrado e por instante eu fujo do insólito e improvável, mas meu amor é real...

“…Sentado sozinho em uma cadeira de plástico. O sol é cruel quando esconde o caminho…”

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Em um Quarto Qualquer


Tomo  I

Ela está inquieta como um tigre enjaulado, e quer respostas de perguntas que não sabe fazer.
Eu  estou amuado em um canto, fugindo do seu olhar, evitando o confronto, como um cão que acabou de fazer caca no tapete.
- Eu me esforço mas não consigo penetrar essa carapaça, como posso te ajudar se você não se permitir ajudar?
- E que caralho mais você quer de mim? Você quer algo que nem sei se tenho pra dar.
Saio do meu canto, tento abraçá-la, mas ela foge como um gato foge da água.
- Não estou falando disso.
Sua cara tem um misto de raiva e pena assombrosamente realçada pelos borrados da maquiagem derretida.
- Eu apenas quero que você me dê acesso a você, que me deixe fazer parte da sua vida, das suas alegrias e tristezas.
Continua ela com ar de pura piedade, isso me incomoda, me contenho para não explodir  num ímpeto de raiva.
 Tomo  ll

- De onde vem tanta tristeza, que fundo tem? Se não te conhecesse o pouco que conheço, acharia essa sua indiferença um grande exercício de superioridade, mas sei que é apenas um disfarce para esconder essa melancolia sem fim. O que te fiz para  me tratar assim?

- O problema não é você, nunca foi, e sim eu, eu sou grande problema, uma grande parábola de um função sem solução, minha tristeza não tem culpado nem motivo, ela apenas é inerente a minha condição, e esta latente em tudo que faço,  e há muito tempo aprendi que as fugas são ineficazes , pois ela se move de forma inexorável em cada célula do meu corpo, toma de assalto minha consciência e me convence de que não existe finais felizes, pois não importa os meios, o final é sempre o mesmo, escuro e frio.

- Você tem medo de morrer?
- Não! Tenho medo de viver.

Em um Quarto Qualquer - Tomo derradeiro

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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Força Y

Por Pachá

Ligeira indecisão na vaga pro carro. Decide por posição mais exposta. Ao sair olha em volta e se convence que precisa trocar de carro, o seu completará ano e meio em breve. Olhou para seu pulso e o brasão nórdico de seu relógio lhe alegrou o momento deste dia e de muitos outros. Saiu do carro, ajeitou a camisa e pelo vidro da porta do carro o homenzinho no cavalinho estampando em seu peito, parecia lhe sorrir. Andou com seu costumeiro andar de homem arrojado, competitivo. Pensou que logo completaria trinta anos, e se alegrou ao saber que conquistaria mais do que seu pai na mesma idade. Sorriu para o porteiro um autômato cumprimento e adentrou os corredores da multinacional de equipamentos espaciais para computação analítica do cosmos, Holly Mountain. A caminho de seu pequeno e singelo feudo, um cubículo com 2 x 2, passa pela sala de seu gerente, dez anos mais velho que ele. Certo dissabor o preenche. - Esse cara já era um dinossauro mesmo antes d´eu nascer. Mas logo se esvazia quando o computador é ligado. Mergulha na resposta de e-mails. Orquestrados com sarcasmo e amenidades, conforme sua conveniência. Um e-mail lhe chamou a atenção, novo plano de carreira Y. – Ah mais já era tempo. Fragmentos de conversas do almoço vêm a sua mente, algo sobre um livro, raças gama, alfa qualquer coisa dessas sem importância, que alguns acham que tem alguma nobreza ou mesmo experiência. Abriu a revista eletrônica Sou mais EU S.A. verificou as dicas de livros; “Guia rápido de indumentarias de impactos para reuniões importantes”, “Seu Corpo fala, domine seus Conflitos apenas com olhares e expressões corporais persuasivas em dez lições”, “Técnicas Holísticas para observações probabilísticas da Curva de sucesso VS. Idade”. Seus olhos então ganham novo incremento de pixel quando vê o novo livro do autor indiano, com quádrupla nacionalidade BRIC, Otpeni Mobousue IesueNavegando em um céu azul de cisnes pretos. O mesmo do best-seller Criando Cisnes pretos sem Céu azul em Caos Profundo sem Fim. Processou compra, e aguardou pontuação. A sua vaga na palestra; Achando causas raízes ao Clique do Mouse, está  garantida. Consulta agenda, e se prepara pra primeira reunião do dia. E de reunião em reunião a manhã se esvaiu. Na hora do almoço concatena ideias com seus pares.

“E final de semana, hein?”
“Bom. Consegui instalar aparelhagem de som no carro, daquela loja indicada no sonzerão.com. br”
“Legal, também tive altas emoções, consegui zerar a versão 3.6.2.0.1.105 jogo online do site jogosdoexecutivomoderno.com. br”
“Vocês viram o perfil do Pedro Ricardo no conektin...su-rre-aaaal  ”
“E o nosso plano de carreira Y,  finalmente vai sair.”
“Pô ai, essa comida ta ruinzona, tipo assim sabe, comida sinistra de ruim.
“A Companhia Quasar Super Nova já possui isso a séculos”
“E os salários são mais atraentes. Acho que deveríamos fazer um approach

O resto do dia avança pela tarde como um exército Teutônico sob ataque prussiano, dissabores, inconformismo tudo adormece nessa hora, pra renascer tal qual linda e insana fênix logo que os olhos brilham na luz do dia seguinte. Mas a vida é feita de momentos, e na segurança de seu carro, ele divaga sob problemas universais; “como essas pessoas podem voltar para casa em ônibus lotados, quentes, em pé?”, bizarro!Concluiu enquanto calibra temperatura do ar e pouco lhe importa certos paradoxos; mais conhecimento e menos poder de julgamento, mais posses e poucos valores, correr contra o tempo e pouca paciência. Tudo que importa é a estigma do homem vencedor, bem sucedido absorto no materialismo que demonstre o quanto se é “bom”. O quanto é prazeroso fazer, ter, possuir simplesmente porque pode e que nada tem haver com necessidade, prioridade, impulsionado na ostentação da felicidade  de prazeres finitos.
Em casa os símbolos das suas conquistas o lembra do caminho, rejubila espírito, e as tragédias do noticiário, a situação política, não o abala, “o cabelo da apresentadora mudou, nice...“ Ele esta fazendo sua parte, contribuindo para o crescimento do país. Um novo dia escorrega pelas persianas de seu quarto, seu levantar é acompanhado de vontade inexplicável de vencer mais uma batalha dessa interminável guerra. No banho pensa no dia que virá. Em frente ao armário de roupas confere símbolos de conquistas. O homem do cavalinho continua sorrindo riso que nunca finda em comunhão com deboche do jovial jacaré. Ninguém lhe entende mas, ele é claro, objetivo. Pertence a outra classe, da geração Y, dofeedback, da meritocracia assistida do self made man high tech, plugado 24 horas por dia em abundância de dados, “sons e fúria” que pouco amadurece ou exercita a empatia. Suas metas são cristalinas, sua determinação é cega e esconde perguntas como; pra quê? Por quê? E a subjetividade fica por conta do vocabulário a ser usado na próxima reunião, no almoço, no chique botequim onde a beleza é estampada em sorrisos, tipo assim sabe, sei lá sabe!I, mas um príncipe não precisa ser príncipe, precisa apenas demonstrar que é. Que saibam todos que o tempo lhes pertence, que as pesquisas mostrem como deve ser o individuo de sucesso, e em cada parágrafo, comentário, uma imagem se formará, se materializará com o perfil de sua geração, que o mercado se dobre as suas vontades, que seu estilo se impregne de forma inexorável no DNA de cada organização ate não restar dúvida de que o tempo está a seu favor. E dirão; “mas era óbvio que sim, quem não apostou está pagando um preço alto, perdeu o time das estrelas”.
               
Então ele entra no carro, regula o ar, troca a música e submerge na felicidade de metal, vidro...


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domingo, 26 de setembro de 2010

Viagem Sonora

16 bandas, 16 trilhas um livro e toneladas de sonhos.

6:30… Microfonia, distorção...

E o Cérebro Eletrônico me diz que é hora de levantar, me visto, tento ser moderno, mas não consigo viver essa mentira. Deslizo por entre andares levado pelo som Maquinado de Lucio Maia, e crio meus argumentos para o dia.  Ganho rua, vivo o instante, “So long, baby” Wedding Present, sinto saudades de quem nunca conheci. Estou quase desperto, minha jornada está apenas começando. A escada rolante serpenteia para cima, e nos fones o que rola é vigoroso, “Much Too Much” e The Who me lembra, quem precisa de escadas que rolam? Pego escada de concreto e esvazio meus medos nas asas de Doves, “There goes the Fear”, espero, observo e lembro dos meus Heróis, Ronnie Von me indica Flash Gordon. O som é aleatório o estilo livre, mas um samba quer entortar minha viagem, entro no Rock e pulo no vagão do metrô junto com os primeiros acordes de “Kiss me  on The bus”, que me faz viajar na menina sentada, que me ignora, não vê Minha Carinha Triste. Então sigo os conselhos dos Autoramas, libero sonhos lascivos com tantas opções quanto tentáculos de uma lula e vou sufocando minha fome de amor, permito que Barbarela, Ana Belle, Vampirela preencham minha imaginação cedidas gentilmente por Scandurra, voou para longe, aguardo, e Adam Green me dá coragem, sussurra, e o convite para dançar é feito, “Dance With me”  e então bailamos como dois a rodar, tenho saudades de certa garota. Nesse vagão cheio de sonhos, vivo o instante. O iguana me traz à realidade, me lembra do abismo, “Living on the edge of night”, minha jornada está quase no fim, desperto, os sonhos esmagados, vazio, me sinto um Zero, reflito, observo, mas sinto o sangue fluir com a fúria de um Astro Zombie, caminho, observo, uma trilha me diz que isso é a grande dádiva, confuso não sinto nada, no fim da jornada, vivo uma realidade de horas roubadas me restando sonhar com sons que nunca ouvi, com rostos que nunca me sorri, aguardo, como “Smokers outside the hospital doors” e sinto o ambiente, vejo pessoas, e idealizo um amanhã que nunca chega, pois todos os dias é uma sorte e um castigo.

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sábado, 21 de agosto de 2010

Memórias do Subterrâneo

Como um abominável e microscópio ser,
Habito as frestas que minhas ignomínia as tornaram grandes,
Meus vizinhos são igualmente abjetos.
Rastejo na angústia, deixando como rastro minha bílis,
Trago nos gemidos da dor a alegria dos devaneios,
Fuzilo com a indiferença a minha pusilanimidade,
E me entrego a sorte dos escárnios da vida,
Tentando me convencer de que isso me fortalece,
Fortalece-me para que?
Minhas exauríveis lágrimas,
Não dão conta das perenes amarguras da vida.
Minhas calamidades estão sempre me lembrado,
O quão fraca são minhas vontades, empachadas de sonhos e delírios.
E meu esforço de ver o belo e o sublime,
Decanta todo o sofrimento de manter a ordem,
E diante da vanglória de sonhos, vivo acordado o pesadelo
De uma vida errante, agônica,
E me escondo na demência das minhas excentricidades
E tento me convencer que tudo é apenas...
... O oficio de viver.


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